quarta-feira, 25 de abril de 2018

Brasil é 1º lugar em ranking de percepção de corrupção


Imagem: Pixabay
O Brasil continua sendo o país com a maior percepção de corrupção nos negócios do mundo, de acordo com o "Global Fraud Survey", estudo publicado a cada dois anos pela empresa de auditoria Ernst & Young (EY). O país já ocupava o primeiro posto na edição anterior, de 2016. Em 2014, estava no oitavo lugar.

O levantamento mais recente mostra que para 96% dos executivos brasileiros, corrupção e suborno são práticas que "ocorrem amplamente nos negócios de seus países ou regiões". O porcentual é maior do que o da média dos mercados emergentes, de 52%, dos mercados desenvolvidos, de 20%, e da média global, de 38%. Depois do Brasil, aparecem Colômbia (94%), Nigéria (90%), Quênia (88%) e Peru (82%). No fim da fila, estão Suécia (4%), Suíça (2%) e Alemanha (2%).

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A EY ouviu 2.550 executivos das maiores companhias de 55 países sobre corrupção, fraude, improbidade corporativa e comportamento antiético, de outubro do ano passado a fevereiro deste ano. No Brasil, foram consultados 50 empresários.

Diante do elevado índice de percepção de corrupção corporativa, 96% dos brasileiros acreditam que é importante demonstrar que sua empresa opera com integridade, índice próximo ao mundial (97%) e da América do Sul (99%). Apesar disso, 18% dos empresários do país ainda apostam que a corrupção é justificável para conquistar negócios em contextos de crise econômica, com o oferecimento de presentes ou pagamentos em dinheiro, por exemplo. Há quatros anos, esse índice era de 20%.

Outra constatação do estudo é a de que quanto mais próximo à realidade do entrevistado, mais distante é a percepção de corrupção. No Brasil, 20% dos entrevistados afirmam que o suborno é uma prática comum em seus setores para a conquista de contratos, porcentual muito interior aos 96% computados quando o recorte geográfico é o país ou a região em que vivem.

— Há uma dissonância entre a percepção e aquilo que acontece ao lado dos empresários. As companhias falam de valores, do que é correto, mas ainda há espaço para se reconhecer que a corrupção pode estar ocorrendo ao seu lado e pode ser endereçada — diz Guilherme Meistre, sócio de investigação e fraudes da EY.

Para metade dos brasileiros entrevistados, a integridade do negócio depende essencialmente do comportamento do indivíduo, mais do que ações de outras áreas ou níveis hierárquicos específicos. Já para 24% deles, a responsabilidade maior cabe ao setor de Administração, 12% ao setor de Compliance, 6% ao de Recursos Humanos e 2% ao Conselho de Administração.

O desempenho ruim do Brasil acontece mesmo após a vigência da Lei Anticorrupção, de 2014, e do aumento da fiscalização após escândalos de corrupção, como os apurados pela Operação Lava Jato. Os resultados do levantamento da EY mostram que há uma defasagem entre a introdução de leis anticorrupção mais rígidas e a redução dessas práticas. No caso dos Estados Unidos, mesmo com a Justiça americana aplicando em todo mundo mais de US$ 11 bilhões em multas desde 2012, 38% dos executivos globais acreditam que essa prática prevalece nos negócios.

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Luís Lima
O Globo
Editado por Política na Rede 
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