sexta-feira, 20 de abril de 2018

Ex-ministro acusa Aécio e Renan de pressioná-lo contra investigações da PF


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O ex-ministro e deputado Osmar Serraglio (PP-PR), disse ter sofrido pressões dos senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Renan Calheiros (MDB-AL), à época em que comandava o Ministério da Justiça. O parlamentar disse que Aécio tentou alterar o curso de investigações na Operação Lava Jato e que Renan, outro investigado pela Polícia Federal, fez pressões semelhantes contra ele. As assessorias de Aécio e de Renan contestam as acusações do ex-ministro.

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Ao discursar na tribuna da Câmara dos Deputados, na última terça-feira (17), o deputado do PP fez clara referência ao tucano que disputou a Presidência da República em 2014 e disse que este “demonstrava revolta” com sua conduta de se recusar a ceder às pressões para aceitar a indicação de delegado da preferência do senador mineiro para investigar as “ações delituosas” de Aécio. Serraglio afirmou à jornalista Lydia Medeiros, do jornal O Globo, que tais pressões resultaram em sua demissão do ministério e que dará detalhes à Justiça, quando for chamado a depor como testemunha.

Ao revelar que o senador Renan fez pressões semelhantes, o ex-ministro disse que tais pressões provocaram sua exoneração do cargo. “Por aí já se descortinam algumas das razões de alto nível político-partidário que instabilizaram minha permanência na pasta. Político modesto da interlândia brasileira, este parlamentar não dispunha de escudo para confrontar estes plenipotenciários, nem de vontade de rasgas sua trajetória, nem de se submeter aos que desprezam a máxima republicana da igualdade dos cidadãos”, declarou Serraglio da tribuna da Câmara.

Após afirmar não ser homem de temores, o ex-ministro disse ainda que, se tivesse sido cooptado, não deveria estar na tribuna do povo, mas no báratro da corte. "A verdade vencerá", disse, antes de lembrar da CPMI dos Correios, como ponto de partida para o combate à corrupção, com o escândalo do mensalão, da qual foi relator.

Seu discurso foi feito no momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que Aécio se tornasse réu por causa das acusações feitas por delatores do grupo J&F.

Osmar Serraglio foi exonerado do Ministério da Justiça em maio do ano passado, antes de completar três meses no cargo que assumiu em março. A insatisfação de Aécio com Serraglio com sua “falta de controle” sobre os rumos das investigações da PF já havia sido registrada na conversa gravada pelo delator da Lava Jato e empresário Joesley Batista. Diálogos que, somados a depoimentos de executivos da J&F tornaram Aécio réu de ação penal por corrupção passiva e obstrução de justiça, no Supremo Tribunal Federal (STF), na mesma terça do discurso de Serraglio.

DEFESAS

A defesa de Aécio Neves publicou nota, na qual afirma que o senador mineiro jamais tentou interferir na nomeação de delegados para a condução de qualquer inquérito e que essa questão é afeita exclusivamente à Polícia Federal. A nota da defesa do tucano destaca ainda que todas as conversas que Aécio teve sobre o tema foram para mostrar inconformismo com inquéritos abertos, segundo a nota, “sem qualquer base fática e com a demora para conclusão deles”.

Sobre os termos inadequados usados para se referir ao então ministro da Justiça, na conversa com Joesley Batista, a nota afirma que o senador telefonou para Osmar Serraglio para se desculpar, à época. A defesa do senador ainda reforçou que não houve nenhuma atitude imprópria de Aécio e que lamenta que isso possa ter sido entendido de forma diversa.

O senador alagoano, Renan Calheiros, disse que não se prestaria a falar com Osmar Serraglio e que virou oposição ao governo Temer justamente quando ele assumiu o ministério. A nota diz que ele jamais se relacionou com esse grupo político.

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Diário do Poder
Editado por Política na Rede
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