quinta-feira, 26 de abril de 2018

'Não vai ser fácil me derrubar, porque eu não sou a Dilma. Tem que ser mais homem que eu para me derrubar', diz Ciro Gomes


Imagem: Gabriel Cabral / Folhapress
O pré-candidato do PDT à sucessão presidencial, Ciro Gomes, criticou nesta quinta-feira (26) o hábito de se pedir o impeachment de um presidente quando não se concorda com a sua política de governo.


Em discurso a uma plateia de vereadores, ele disse que, caso seja eleito, não será fácil retirá-lo do comando do Palácio do Planalto, já que não é como a ex-presidente Dilma Rousseff, que sofreu impedimento em 2016.

“Não vai ser fácil não [me derrubar], porque eu não sou a Dilma Rousseff, eu sou do ramo. Você acha que um marginal como [o ex-presidente da Câmara dos Deputados] Eduardo Cunha me derrubaria? É preciso ser muito mais homem que eu para me derrubar”, disse.

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Segundo ele, a tentativa de se retirar mandatários do Poder Executivo já está “escrita na história do país” e é necessário um presidente com força política, apoio popular e que retome a confiança da sociedade na democracia.

“Se não tivermos apoio aqui embaixo, eles vão derrubar o terceiro, o quarto e o quinto [presidentes]. Isso está escrito neste país enquanto não virarmos o jogo”, afirmou.

Ele lembrou que, desde a queda de Fernando Collor, são protocolados pedidos de impeachment contra presidentes em exercício e que foi contra, por exemplo, quando Luiz Inácio Lula da Silva apresentou solicitação para a saída de Fernando Henrique Cardoso.

“O impeachment derrubou uma presidente honrada, embora estivesse fazendo um governo que eu achava muito ruim, mas respeito quem pensa diferente”, disse.

Ciro participou de evento da XVI Marcha dos Vereadores, em Brasília. No discurso, sem citar nomes, disse que integrantes do Poder Judiciário que  dão muitas entrevistas deixaram de fazer justiça para fazer política.

Para ele, o ativismo judiciário ocorre quando os Poderes Executivo e Judiciário entram em colapso e deixam um espaço público. “O poder não aceita o vácuo. Se ele não é exercido por alguém, outro o exerce”, disse.

Ele criticou o discurso de desmoralização do Poder Legislativo e disse que, na época que era deputado federal, apenas um terço do Câmara dos Deputados era formado por “batedores de carteira, estupradores, assaltantes e gente da pior categoria”.

“O outro terço é de gente muito séria e muito competente. E o outro terço é de sobreviventes, pessoas que jogam o jogo do Poder Executivo”, disse.

PROPOSTAS

O pré-candidato afirmou ainda que, no início de maio, irá disponibilizar na internet um esboço de seu programa de governo para que seja analisado e criticado pela sociedade. Segundo ele, após ser readaptada, a plataforma oficial será lançada em junho.

No evento, ele defendeu propostas como a manutenção do Ministério da Segurança Pública e a federalização da investigação dos crimes de narcotráfico, facção criminosa, contra a administração pública e lavagem de dinheiro.

Para isso, ele disse que o efetivo da Polícia Federal será ampliado, mas não detalhou com que recursos. Ele afirmou que ainda não tomou uma decisão sobre se acabaria com o Ministério da Justiça ou o fundiria a Segurança Pública.

“Ele [Segurança Pública] não precisa rivalizar, da forma oportunista como foi feito, com a Justiça. É preciso trazer o tema à centralidade da política pública nacional”, disse.

O pedetista disse ainda que pretende, nos primeiros seis meses de mandato, realizar uma reforma conjunta fiscal e previdenciária. E que, caso ela não prospere junto ao Congresso Nacional, irá propor um plebiscito ou um referendo.

No discurso, criticou a proposta previdenciária apresentada pelo presidente Michel Temer e disse que pretende implementar um modelo de capitalização, ou seja, com a aplicação dos recursos em fundos de pensão públicos para que gerem lucro.

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Gustavo Uribe
Folha de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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