sexta-feira, 4 de maio de 2018

BC libera técnicos para ajudar nas investigações da Lava-Jato


Imagem: Ailton de Freitas / Ag. O Globo
Depois de passar quatro anos vasculhando a burocracia estatal para desmontar uma série de esquemas de corrupção, a força-tarefa da Operação Lava-Jato em Curitiba ganhou um importante reforço. Fontes ligadas à investigação confirmaram ao jornal O Globo que o Banco Central destacou servidores do seu quadro técnico para ajudar os investigadores paranaenses a analisar um universo de 100 terabytes de dados bancários reunidos durante as mais de 50 etapas da operação.

Além do Banco Central, a Receita Federal também reforçou a investigação de fraudes fiscais e evasão de divisas na Lava-Jato. Até a chegada do reforço enviado pelo Banco Central, os arquivos bancários permaneciam intocados.

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– Temos buscado estreitar a cooperação com órgãos parceiros para enfrentar o desafio do volume gigantesco de informações angariadas ao longo de quatro anos de operação – diz um dos investigadores da Lava-Jato, sob a condição de anonimato.

A missão dos técnicos do Banco Central, no suporte à força-tarefa, é seguir o dinheiro para identificar evidências que comprovem os crimes já investigados. Mas há ainda outro objetivo mais ambicioso. Ao mergulhar no universo de dados ainda inexplorado, os técnicos esperam detectar outros indícios de crimes ainda não descobertos pelos investigadores.

– Ainda tem muita coisa para acontecer. Imagine o que pode ter em 100 terabytes? Quem pensou que a Lava-Jato tinha acabado se enganou – comenta um investigador.

A cooperação entre a força-tarefa e o Banco Central encerrou uma rusga criada no momento em que a autarquia instituiu a delação premiada para instituições financeiras. Como revelou O GLOBO no ano passado, os procuradores se irritaram e ameaçaram entrar na Justiça contra a novidade.

Os técnicos do Banco Central entraram em ação, negociaram e fecharam um acordo para trabalhar de forma conjunta. O Ministério Público conseguiu garantir até mais poder ao ter acesso a todos os dados da negociação da autarquia com os bancos. Isso estreitou os laços e abriu espaço para a cooperação atual.

Ao todo, a Operação Lava-Jato já instaurou 1.765 procedimentos no país e também no exterior com a cooperação dos respectivos órgãos de investigação. A força-tarefa pretende recuperar R$ 38,1 bilhões.

Até o momento, a maior ação contra a corrupção no Brasil soma 165 condenações contra 107 pessoas. Juntas, todas foram condenadas a mais de um milênio. A pena somada é de 1.634 anos. Até agora, os crimes denunciados envolvem o pagamento de R$ 6,4 bilhões em propinas.

Procurada, a assessoria do BC informou que não comenta o assunto.

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Gabriela Valente
O Globo
Editado por Política na Rede
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