segunda-feira, 14 de maio de 2018

Deputada petista usa notícia falsa para justificar projeto de lei que criminaliza 'fake news'


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Há uma proliferação de projetos de lei no Congresso que tentam criminalizar a produção e disseminação de notícias falsas. Entre eles, o projeto da deputada petista Érika Kokay  (PL 9.931/2018) criminaliza a produção e até mesmo a reprodução (compartilhamento) de notícias falsas. No entanto, o próprio projeto da deputada apresenta, na justificativa, uma conhecidíssima notícia falsa, que vem sendo reiterada por sites de esquerda para prejudicar opositores. 



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Na justificativa de seu projeto, a deputada escreve: “Recente levantamento feito pela Associação dos Especialistas em Políticas Públicas de São Paulo (AEPPSP), com base em critérios de um grupo de estudo da Universidade de São Paulo (USP), apontou os maiores sites de notícias do Brasil que disseminam informações falsas, não-checadas ou boatos pela internet, também chamadas notícias de ‘pós-verdades’. O estudo da AEPPSP utilizou os critérios do “Monitor do Debate Político no Meio Digital”, desenvolvido por pesquisadores da USP, ferramenta que monitora compartilhamentos de notícias no Facebook e revela o alcance de notícias publicadas por sites que produzem conteúdo político ‘pós-verdadeiro’ para o público brasileiro”. Esta notícia já foi desmentida inúmeras vezes pelos pesquisadores apontados como autores do "estudo"

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, os pesquisadores da USP, Pablo Ortellado e  Márcio Moretto, afirmaram: "Na condição dos pesquisadores responsáveis por essa suposta pesquisa da USP, gostaríamos de aproveitar a oportunidade para esclarecer que esse tão difundido estudo não passa de um grande mal-entendido que rapidamente se tornou uma espécie de “notícia falsa sobre notícias falsas”. Não existe um ranking dos maiores sites de notícias falsas feito pela USP ou com base em estudo da USP."

Os pesquisadores explicaram que, mesmo sabendo que a notícia é falsa, políticos de esquerda insistem em replicá-la porque ela atinge seus opositores. Segundo os pesquisadores, os políticos o fazem movidos pela "paixão política": "O Monitor fez inúmeras notas desmentindo o suposto estudo, assim como a Aepps. Apesar disso, durante todo esse período, centenas de perfis e páginas influentes de professores, jornalistas e políticos do Congresso difundiram a notícia. O motor da difusão, neste, como noutros casos, é a paixão política. É porque as pessoas de esquerda já estão tão convictas de que a direita é desonesta que uma matéria completamente distorcida e falsa pode irrefletidamente ser tratada como se fosse verdadeira e passada adiante na dinâmica de combate das mídias sociais. Se o conteúdo do suposto ranking fosse misto com sites de esquerda e de direita, jamais teria tido o alcance que teve".


Devido à constante repetição proposital da notícia falsa, até mesmo o Tribunal Superior Eleitoral chegou a se basear na notícia falsa para anunciar que instauraria um inquérito. O Tribunal corrigiu a informação.

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