quarta-feira, 23 de maio de 2018

Eduardo Azeredo é considerado foragido, diz polícia de MG


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB) é considerado foragido pela Polícia Civil mineira. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do órgão na manhã desta quarta-feira (23). Ontem, Justiça de Minas Gerais expediu um mandado de prisão contra Azeredo após rejeitar os últimos recursos movidos pela defesa do tucano. Azeredo foi condenado a 20 anos e um mês de prisão por crimes relacionados ao mensalão tucano.


Logo após a decretação da prisão de Azeredo, advogados do político iniciaram uma negociação com a Polícia Civil mineira sobre de que forma e em que momento o ex-governador se apresentaria à Justiça. Houve a expectativa de que Azeredo se apresentasse até as 22h de ontem, o que não ocorreu.

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Desde a noite da última terça-feira, veículos da Polícia Civil estão em frente ao prédio onde o ex-governador mora, no bairro Serra, área nobre da capital mineira. Porteiros do prédio, no entanto, afirmaram na manhã de hoje que o político não está no local. Há movimentação de repórteres em frente ao 1º Distrito Policial de Belo Horizonte, no bairro Santo Antônio, na zona sul da cidade, onde se espera que Azeredo possa ser apresentado.

Advogado fala em "situação de desespero"

Para o advogado de Azeredo em Brasília, Carlos Velloso, a não apresentação de Azeredo seria resultado do "desespero". "Isso não faz parte da estratégia de defesa. Acho que é uma situação de desespero. A defesa não pensa nesse tipo de estratégia", afirmou Velloso. O advogado é um dos que defende Azeredo junto ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). 

A defesa do ex-governador ainda aguarda uma decisão da Corte em relação a um habeas corpus que pede que Azeredo não seja preso até que a presidência do TJMG possa apreciar dois outros recursos.
11 anos de processo

Nesta terça-feira (22), por 5 votos a 0, o último recurso do ex-governador de Minas Gerais para evitar a prisão foi negado pela 5ª Câmara do TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais).

O processo contra Azeredo se arrasta na Justiça há 11 anos. Ele foi denunciado pela primeira vez em 2007, pela PGR (Procuradoria-Geral da República), quando ainda era senador e tinha foro privilegiado.

Em 2014, quando os procuradores pediram sua condenação ao STF (Supremo Tribunal Federal), Azeredo, que era deputado federal, renunciou ao cargo, perdendo o foro privilegiado e fazendo com que o processo recomeçasse da estaca zero.

Em 2015, Azeredo foi condenado em primeira instância.

Sua sentença foi mantida em 2017. A defesa do político disse que pretende recorrer para evitar que ele seja preso.

Na última sexta-feira (18), seus advogados impetraram um habeas corpus com pedido de liminar solicitando um salvo-conduto para impedir sua prisão caso o TJ-MG rejeitasse seus recursos nesta terça-feira.

Caso é considerado embrião do mensalão do PT

O mensalão tucano é considerado por investigadores como o "embrião" do mensalão do PT. Entre as semelhanças estavam a utilização de contratos publicitários para abastecer uma contabilidade paralela e desviar esses recursos para campanhas e políticos.

Um dos principais atores dos dois esquemas é o publicitário Marcos Valério, condenado pelo mensalão do PT. Em depoimento, Valério disse que o mensalão tucano envolvia diversas outras pessoas.

No último dia 14, a Justiça mineira condenou cinco anos e sete meses de prisão o ex-senador Clésio Andrade (MDB) por crimes relacionados ao mensalão tucano. Em 1998, ele era candidato a vice-governador na chapa de Azeredo. Clésio nega seu envolvimento no caso.

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Leandro Prazeres
UOL
Editado por Política na Rede
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