sexta-feira, 25 de maio de 2018

Moro suspende depoimentos em processo de Lula sobre sítio devido à greve dos caminhoneiros


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O juiz Sergio Moro, da Justiça Federal do Paraná, decidiu suspender os depoimentos, marcados para segunda-feira (28), de testemunhas do processo da Operação Lava Jato sobre reformas em um sítio de Atibaia (SP) usado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


Em despacho publicado na tarde desta sexta (25), Moro cita a "movimento de paralisação de motoristas de caminhões nas estradas brasileiras" e diz que, "considerando a incerteza em relação aos próximos dias, é o caso de, por prudência, suspender as audiências do dia 28/05/2018 e, oportunamente, redesigná-las."

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Entre os depoimentos suspensos está o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), arrolado como testemunha de defesa de Lula. No despacho, Moro não remarcou as audiências.

Na decisão, o juiz também fez comentários sobre o movimento que, desde o começo da semana, paralisa o país.

"Há uma pauta de reivindicação legítima da respeitável categoria e que deve ser avaliada pelas autoridades competentes. No entanto, o prolongamento excessivo da paralisação e que inclui o questionável bloqueio de rodovias tem gerado sérios problemas para a população em geral, com prejuízos principalmente para o abastecimento de alimentos e de combustíveis nas cidades", disse Moro.

O magistrado mencionou também que "o deslocamento entre as cidades e mesmo dentro delas tem sido prejudicado, com afetação dos serviços públicos e inclusive de prestação de Justiça", e lembrou que, nesta sexta, o expediente na Justiça Federal em Curitiba foi suspenso, "muito embora seja intenso o trabalho interno dos servidores".

Moro ainda fez um apelo ao "bom senso" dos participantes do movimento.

"Espera-se que prevaleça o bom senso dos envolvidos, com a normalização da situação e antes que ocorram episódios de violência, mas considerando a incerteza em relação aos próximos dias, é o caso de, por prudência, suspender as audiências do dia 28/05/2018 e, oportunamente, redesigná-las", escreveu.

O processo sobre o sítio de Atibaia tem audiências marcadas até o fim de junho. Nesta ação penal, o MPF acusa Lula de ter recebido cerca de R$ 1 milhão em propinas por meio de reformas feitas na propriedade pelas construtoras Odebrecht, OAS e Schahin. Segundo os procuradores, a vantagem indevida veio de contratos obtidos de forma fraudulenta pelas empresas junto à Petrobras.

Moro aceitou a denúncia em agosto do ano passado, transformando Lula e mais 12 pessoas em rés no processo. A defesa do ex-presidente afirma que ele jamais pediu ou recebeu favorecimento ou vantagem indevida de qualquer empresa.

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Bernardo Barbosa
UOL
Editado por Política na Rede
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