quinta-feira, 17 de maio de 2018

PF diz que Gleisi recebeu mais de R$ 1,3 milhão em propina e caixa dois


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Relatório da Polícia Federal afirma que a presidente do PT e senadora Gleisi Hoffmann (PR) recebeu mais de R$ 1,3 milhão em propina e caixa dois de 2010 a 2015. Os pagamentos, segundo os investigadores, foram feitos pela companhia aérea TAM e pela empresa de tecnologia Consist.


A investigação, que tramita em segredo de justiça no STF (Supremo Tribunal Federal), é um desdobramento da Lava Jato e apura suposto esquema de corrupção feito pela Consist.

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A empresa teria atuado no desvio de recursos de empréstimos consignados do Ministério do Planejamento –que, na época, era comandado pelo marido da senadora, o ex-ministro petista Paulo Bernardo. Ele chegou a ser preso por suposta participação no esquema, responde às acusações de participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção na parte do processo que foi enviada à primeira instância.

A parte que envolve a senadora ficou no Supremo porque ela tem foro especial. O caso está no gabinete do ministro Dias Toffoli.

Relatório da PF no inquérito afirma que a cúpula da TAM fez um contrato simulado com o escritório de advocacia de Guilherme Gonçalves, apontado como intermediário da propina para a senadora. 

No documento, o delegado do caso afirma que existem indicativos de que Gleisi, com a participação de Marco Antonio Bologna (ex-presidente da TAM), Luiz Aguiar (ex-diretor jurídico da companhia aérea) e Guilherme Gonçalves (advogado da área eleitoral) “ao menos omitiu, em documento público ou particular, a saber a prestação de contas relativa à campanha ao Senado Federal de 2010, declaração de que recebeu, em 30/08/2010, R$ 300 mil da empresa TAM S/A para fins eleitorais por intermédio de um contrato de consultoria jurídica simulado [entre o escritório de Guilherme e a companhia aérea] sem a correspondente prestação do serviço, mas com registro de uso como honorário eleitoral”.

A conduta poderia configurar crime de falsidade eleitoral, acrescenta a PF.

O delegado Ricardo Ishida diz ainda que a senadora “de alguma forma colaborou para ocultar ou dissimular” R$ 390 mil oriundo da Consist, pois foram identificados pagamentos a ela, a Paulo Bernardo ou a pessoas próximas feitos com regularidade pelo escritório de Guilherme Gonçalves.

Mas, na verdade, os pagamentos eram dinheiro de corrupção que passou pela banca advocatícia, segundo o documento.

O relatório aponta outras cinco condutas que, segundo o delegado do caso, podem ser enquadradas no crime de corrupção passiva.

De acordo com a PF, existem indicativos de que Gleisi e Paulo Bernardo receberam vantagem indevida no valor de R$ 149, 5 mil, “o que corresponde ao exato valor da primeira nota fiscal emitida pela empresa Consist em benefício do escritório de Guilherme Gonçalves, em 09/09/2010, e que foi contabilizada como receita do escritório na parte ‘Eleitoral – Gleisi’”.

A PF também aponta indícios de que o casal recebeu R$ 100 mil, que correspondem a “honorário retirado do fundo da Consist”, associado ao nome de Gleisi em duas parcelas de R$ 500 mil cada, em outubro e novembro de 2014, “que foram contabilizados como dívida de campanha e que nunca foi paga”.

Outros R$ 130 mil teriam sido pagos em quatro parcelas em 2015.

Também há indícios de que o casal tenha recebido R$ 205,7 mil, valor que “corresponde a despesas diversas” entre maio de 2010 e julho de 2015, “com anotações de que foram pagas com valores oriundos da Consist”.

Por fim, R$ 40 mil teriam sido pagos a outro suspeito em cinco parcelas em 2015 com valores oriundos do esquema da Consist.

OUTRO LADO

Em nota, a senadora Gleisi Hoffmann afirmou que nunca teve contas pagas por terceiros e nem recebeu dinheiro ilegal para si ou para campanhas eleitorais. "A investigação a que se refere a reportagem se arrasta há dois anos e meio e não concluiu nada, a julgar pelas insinuações levianas, que remetem a terceiros, ao invés de sustentar acusações concretas. Não há qualquer fato ou prova que possa levar a isso", afirmou. 

"Como é que um processo que corre em segredo de Justiça tem um suposto relatório vazado para a imprensa, sem que isso seja do meu conhecimento ou da minha defesa? Com que objetivo?", questionou. 

"Lamento que esteja sendo mais uma vez vítima de calúnias e de perseguição político-judicial-midiática. Só posso entender essa sanha de inquéritos em razão de minhas posições políticas e por estar ocupando a presidência do PT, partido que a Operação Lava Jato e a mídia golpista tratam como inimigo a ser abatido", acrescentou a petista. 

A Latam "informa que forneceu esclarecimentos às autoridades para auxiliar nas investigações. A companhia reafirma o seu forte compromisso com o cumprimento das normas e leis aplicáveis".

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Letícia Casado e Rubens Valente
Folha de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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