segunda-feira, 4 de junho de 2018

À PF, sócio da Libra contradiz Temer sobre atuação do coronel Lima em campanha


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O empresário Gonçalo Torrealba, um dos sócios do Grupo Libra e que mora nos Estados Unidos, apresentou informações à Polícia Federal que contradizem resposta de Michel Temer aos investigadores a respeito da atuação do coronel João Batista Lima Filho como arrecadador financeiro de campanhas do emedebista. O coronel, aposentado da PM de São Paulo, é amigo de Michel Temer.

O Blog da Andréia Sadi obteve acesso à íntegra do depoimento de Torrealba, no âmbito da Operação Skala. Ele afirmou à Polícia Federal no dia 3 de abril que recebeu um pedido do coronel Lima para doação de campanha à candidatura de Michel Temer a deputado federal “há mais de dez anos”.

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Temer concorreu a uma vaga na Câmara em 2002 e 2006. Em 2010, foi candidato a vice de Dilma Rousseff.

Perguntado pela PF em janeiro se João Baptista Lima Filho atuou como arrecadador de campanha para Temer, o presidente respondeu, por escrito: "O Sr. João Batista me auxiliou em campanhas eleitorais, mas nunca atuou como arrecadador de recursos".

Coronel Lima é investigado junto com Temer em inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) e apura se o presidente recebeu propina para editar decreto que favoreceria empresas do ramo portuário, entre elas o grupo Libra.

Gonçalo Torrealba, no entanto, disse que não fez doações porque a empresa e os sócios - ele e os irmãos – doavam para candidaturas majoritárias e partidos. A eleição para deputado não é majoritária, é proporcional.

“Que conheceu João Baptista Lima Filho, chamado de coronel Lima, quando ele foi coordenador de campanha de Michel Temer a deputado federal há mais de 10 anos, solicitou colaboração do declarante para doação. [...] Que se encontrou mais algumas vezes com João Baptista até informar definitivamente que não poderia doar para Temer”, disse.

Segundo ele, os encontros ocorreram na sede do grupo Libra, que tem concessão para atuar no porto de Santos.

O ministro Luís Roberto Barroso expediu mandado de prisão temporária para Gonçalo e os irmãos, mas ele estava fora do país e não foi detido no dia da Operação Skala. Depois, compareceu para prestar depoimento e foi liberado com compromisso de comparecer quando chamado.

O empresário afirmou que conheceu Temer há cerca de 15 anos e que, como deputado, ele o recebia para ouvir demandas institucionais da área portuária. Também narrou encontro para falar de conjuntura política no escritório de Temer em São Paulo.

Em 2015, contou ele, foi ao Palácio do Jaburu para reunião com a então ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e que Temer estava presente, tendo o cumprimentado. Disse ainda que o assunto era a entrega de um terminal do grupo para escoamento de soja.

Segundo relatou Torrealba, ele considerou que a entrega “era a condição essencial para efetivação das concessões em 2015”.

Gonçalo Torrealba também revelou que, ainda em 2015, recorreu ao coronel Lima para agendar encontro na Secretaria dos Portos “por considerar que tinha proximidade no governo, incluindo Temer”.

“Que gostaria de esclarecer que somente entrou em contato com João Baptista porque de fato tinha urgência em solucionar as pendências nas renovações, uma vez que havia prazo fatal de menos de um mês para seu encerramento”, afirmou o empresário no depoimento.

Ele negou irregularidades ou doações por meio de caixa dois, mas admitiu que o grupo Libra foi beneficiado pelo decreto dos portos.

O grupo Libra divulgou a seguinte nota nesta segunda-feira: "O Grupo Libra reitera que colabora com Justiça desde o início das investigações e está sempre à disposição das autoridades para os esclarecimentos pertinentes".

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Andréia Sadi e Mariana Oliveira
Blog da Andréia Sadi
Editado por Política na Rede
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