segunda-feira, 25 de junho de 2018

Cabral e mulher abrem mão de imóveis, joias, carros e dinheiro bloqueados pela Justiça Federal


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O ex-governador Sérgio Cabral (MDB) e a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo decidiram abrir mão, em conjunto, dos bens bloqueados pela Justiça Federal. Eles autorizaram o leilão antecipado deles e a destinação dos recursos na forma a ser decidida pelo juiz Marcelo Bretas.

A medida tem como objetivo reduzir parte da pena em futuras sentenças a serem proferidas pelo magistrado. Não significam, contudo, confissão em relação aos crimes que lhe são atribuídos.

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Serão entregues ao menos três imóveis, joias, carros, além de valores depositados em contas bloqueadas. A autorização tem impacto principalmente sobre o destino do imóvel do casal no Condomínio Portobello, em Mangaratiba. 

Bretas havia incluído a casa no rol de bens do casal a serem leiloados antecipadamente, mas a venda vinha sendo impedida por recursos do casal. O TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região) cancelou o leilão da casa e determinou que ela fosse alugada até a o fim dos processos. Agora os dois desistiram dos recursos que impediam o certame.

Os bens já listados para leilão estão avaliados em R$ 14,5 milhões. Há ainda outros imóveis bloqueados, como o apartamento em que o casal morava, no Leblon –atualmente alugado–, e outro em Copacabana, da família de Adriana Ancelmo. Serão todos entregues à Justiça.

A intenção é também abrir mão dos valores depositados em contas bloqueadas. Na da ex-primeira-dama, foram encontrados R$ 10 milhões. Já na de Cabral, R$ 454.

Os bens a serem disponibilizados valem mais do que os R$ 20 milhões que Cabral afirma ter se apropriado da arrecadação de caixa dois eleitoral. É longe, contudo, dos cerca de R$ 500 milhões que ele estimou ter obtido para campanhas ao longo de sua carreira política.

O emedebista é acusado de exigir para si 5% sobre os grandes contratos do estado. Desde o início dos 24 processos de que é alvo, Cabral nega ter pedido propina, mas afirma ter se apropriado de sobras de caixa dois de campanha.

Já Adriana Ancelmo vinha negando participação nas movimentações financeiras do marido. Segundo a Folha apurou, a petição deixará claro que a entrega dos bens não significa uma confissão.

Cabral já foi condenado em cinco processo a penas que somam 100 anos. Adriana Ancelmo sofreu reveses em três ações penais, acumulando pena de quase 37 anos de prisão –ela ainda responde a mais uma denúncia.

O casal já havia protocolado na Justiça petição na quarta-feira (20) em que declarava não ter mais a intenção de impedir os leilões. Mas pediam que os valores arrecadados fossem depositados numa conta. Eles só estariam disponíveis para a Justiça após o trânsito em julgado ou seriam devolvidos em caso de absolvição.

A reportagem apurou que o casal decidiu entregar os bens imediatamente, o que será oficializado nesta semana.

Outros réus já entregaram valores à Justiça, como o ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes e o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta Construções. O último teve uma redução de quase metade da pena total ao disponibilizar R$ 375 milhões de créditos da empreiteira com órgãos públicos.

A lei de lavagem de dinheiro autoriza a redução em até dois terços da pena com a devolução do produto do crime.

A disponibilização dos bens é resultado do último interrogatório de Cabral em que confessou ter mantido relação “promíscua” com empresários e não ter se contido “diante de tanto poder”. Nela, Bretas instou o ex-governador a devolver recursos à Justiça.

“Abra mão de seu patrimônio e demonstre de forma prática seu arrependimento”, disse o juiz.

“Qual a importância de patrimônio estando longe dos filhos?”, disse ele.

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Italo Nogueira
Folha de S.Paulo
Editado por Política na Rede
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