sexta-feira, 1 de junho de 2018

Justiça argentina confirma que promotor que denunciou Cristina Kirchner foi assassinado


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
A Câmara Federal da Argentina confirmou nesta sexta-feira, dia 1º, que a morte do promotor Alberto Nisman, em janeiro de 2015, quatro dias depois de acusar a então presidente, Cristina Kirchner de acobertar supostos terroristas, se tratou de um homicídio e não um suicídio.

“Procede encomendar aos magistrados a cargo da investigação o sustentado avanço do curso instrutório visando à completa e cabal determinação dos responsáveis pelo homicídio de Natalio Alberto Nisman, com a rapidez e seriedade que tão grave fato impõe”, afirmou o tribunal de segunda instância em uma resolução.

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Nisman foi encontrado morto em sua casa, um luxuoso apartamento na área portuária de Buenos Aires, em janeiro de 2015, ao redor de uma poça de sangue no banheiro, com um único disparo na cabeça. O crime aconteceu quatro dias após Nisman acusar a ex-presidente Cristina Kirchner de proteger iranianos envolvidos no ataque segundo a Justiça local. Em 2013, o kirchnerismo assinou com o Irã um pacto para que os acusados fossem ouvidos em Teerã. 

Nisman dizia que o acordo previa impunidade em troca de uma transação comercial. Ele morreu na véspera de detalhar ao Congresso sua denúncia. A versão oficial da morte indicava suicídio, mas foi contestada por peritos da família de Nisman.

Para tentar determinar se foi um suicídio ou um homicídio, já no ano passado a promotoria encarregou uma junta de peritos para realizar uma reconstituição do momento da morte do promotor, na qual se estabeleceu que duas pessoas espancaram, drogaram com cetamina e assassinaram Nisman em sua casa. 

O relatório da Promotoria também foi aprovado, e concluiu que a morte do promotor foi um homicídio "que ocorreu dentro do banheiro e da qual participaram dois agressores, um deles manipulou a arma, enquanto outro ajudou a manipular o corpo da vítima ". Tudo teria acontecido às 2:46 do domingo, 18 de janeiro de 2015.

Para  a Justiça, o técnico em informática Diego Lagomarsino, que trabalhava com Nisman e era dono da arma que o matou, é “peça-chave” no assassinato, e entregou a arma com "pleno conhecimento do que aconteceria"; isto é, a morte do então procurador.

Segundo Lagomarsino, o promotor pediu a arma para proteger as filhas. Meses após a morte, uma pistola similar foi encontrada entre objetos de Nisman, o que levou a família a questionar por que ele pediria uma emprestada. Perícia contratada pelos parentes concluiu que a morte ocorreu 12 horas antes do apontado no laudo oficial, em um momento mais próximo do encontro com Lagomarsino.

Até o momento, na causa, que neste período sofreu constantes reviravoltas judiciais, inclusive acusações de contaminação da cena do crime e o afastamento da primeira promotora designada para caso, o técnico informático é o único indiciado. No entanto, o Tribunal não pôde provar sua intervenção no momento em que o assassinato foi consumado. Os responsáveis pelo crime ainda são "autores desconhecidos".

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O Estado de S.Paulo
Editado por Política na Rede
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