sexta-feira, 22 de junho de 2018

Menina que aparece em capa anti-Trump não foi separada da mãe, diz pai


Imagem: John Moore / Getty Images
A foto da pequena menina chorando enquanto agentes da Patrulha da Fronteira dos EUA detinham sua mãe tornou-se um símbolo das famílias separadas pela política de "tolerância zero" do governo de Donald Trump, utilizada na capa da revista Time.

Mas o pai da criança confirmou ao Washington Post na noite desta quinta (21) que a menina e a mãe não foram separadas.

A imagem tocante, capturada por John Moore, fotógrafo da Getty Images, foi parar na capa de jornais por todo o mundo. A foto também foi usada para promover uma campanha de arrecadação de fundos que levantou US$ 18 milhões (R$ 68 milhões) para ajudar na reunificação de famílias separadas.

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A revista Time divulgou na quinta sua capa da edição de 2 de julho, usando a imagem da menina, sem sua mãe, em uma ilustração que a mostra olhando para o presidente Trump.

No início, pouco se sabia sobre a mãe, sobre a criança e sobre o que havia acontecido com elas. Muitos especularam que a criança poderia ter sido separada a mãe, como aconteceu com mais de 2.300 crianças migrantes desde 5 de maio, em virtude de uma lei do governo Clinton.

Em Honduras, Denis Javier Varela Hernandez reconheceu sua filha na foto e também ficou preocupado com a possibilidade de ela ter sido separada da mãe, disse ele ao Washington Post. Mas ele descobriu nesta semana que sua mulher e filha não estavam separadas. A mãe, Sandra Sanchez, 32, foi detida com a pequena Yanela, de quase dois anos, em um centro em McAllen, no Texas.

Sanchez, que já havia sido deportada uma vez dos EUA, em 2013, saiu de Puerto Cortes, Honduras, em 3 de junho, disse Valera, que afirmou que não sabia que ela levaria a pequena Yanela. O casal tem três outros filhos. 

Valera ficou sem contato com a mulher até ver a foto nos jornais. "No segundo que a vi, eu sabia que era minha filha. Eu imediatamente a reconheci", disse ele. Valera diz que ficou sabendo que famílias estavam sendo separadas na fronteira e ficou preocupado imaginando a filha naquela situação.

O fotógrafo Moore disse que encontrou as duas em McAllen e que sabia apenas que eram de Honduras. "Só posso imaginar que perigos ela [Sanchez] passou, sozinha com a menina", disse ele. Depois que a mãe foi revistada por agentes enquanto a menina chorava, momento que Moore fotografou, as duas foram embora juntas em uma van. "Eu não sei qual é a verdade. Eu temo que tenham sido separadas", disse o fotógrafo.

Nesta semana, Valera recebeu uma ligação de uma autoridade hondurenha que lhe relatou que sua mulher e filha estavam detidas juntas. Ele diz não saber quais as condições delas nem o que deve acontecer com elas agora. Valera disse esperar que elas recebam asilo nos EUA.

Comentaristas da mídia conservadora dos EUA disseram que a revelação era prova das fake news plantadas por críticos das políticas migratórias de Trump.

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Samantha Schmidt
Folha de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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