sexta-feira, 6 de julho de 2018

Moro vê 'pertinência' em mensagem de Odebrecht sobre terreno para o Instituto Lula


Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
O juiz federal Sergio Moro considerou pertinente a mensagem anexada pela defesa do engenheiro Glaucos da Costamarques no processo sobre um terreno que supostamente seria para o Instituto Lula e o apartamento vizinho ao em que vivia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Bernardo do Campo (SP). O terreno e o imóvel seriam vantagem indevidas pagas pela Odebrecht relacionadas a oito contratos entre a empreiteira e a Petrobras.


Glaucos indicou uma das mensagens apresentadas pelo ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, aos investigadores e à Justiça. Marcelo, que também é réu no processo, havia encontrado em seus arquivos centenas de mensagens que teriam relação com processos da Operação Lava Jato.

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Na mensagem escolhida por Glaucos, Odebrecht teria garantido "sigilo total" ao dono de uma construtora suspeita de atuar como laranja na compra do terreno. O instituto nunca ocupou o local, que fica na zona sul de São Paulo.

O juiz pediu, então, que a Polícia Federal junte a cópia das mensagens e dos arquivos ao processo. "Examinando a reprodução das mensagens e arquivo constante na petição, verifica-se aparente pertinência", escreveu Moro em despacho na quinta-feira (5).

Em junho, Moro havia dado cerca de duas semanas para que as defesas de Lula e Glaucos indicassem mensagens de Odebrecht que fossem anexadas ao processo. O prazo se encerrava na última terça-feira (3). Os defensores de Glaucos fizeram isso às 23h43, minutos antes do limite. Já os advogados de Lula não se manifestaram no período.
Mensagens

A defesa de Glaucos apontou mensagens entre Marcelo e Demerval Gusmão, dono da construtora DAG. "Prédio: Sigilo total. Fora as pessoas da OR envolvidas, ninguém mesmo da casa sabe", escreveu Marcelo em 22 de setembro de 2010 a Gusmão. OR é a sigla da Odebrecht Realizações Imobiliárias. Em e-mails de Marcelo Odebrecht, a compra do terreno era tratada como "prédio institucional" ou "prédio instituto".

No dia seguinte, Gusmão enviou um e-mail ao empreiteiro dizendo estar "bem atento" para sua segurança. "Realmente tem muito curioso na casa... Tudo deu certo e com o máximo de segurança muito devido ao Paulo -- fiquei sempre confortável", escreveu.

À Justiça, Gusmão confirmou que comprou o terreno em 2010 a pedido da Odebrecht, mas que só depois ouviu de Marcelo que o imóvel seria destinado ao Instituto Lula.

"Paulo" seria Paulo Melo, executivo da OR e também réu no processo. Em seu interrogatório, Melo disse não ter conhecimento de que a compra do terreno serviria como vantagem indevida e afirmou que a transação "seria a forma mais estúpida para se pagar uma propina".

A defesa do ex-presidente nega que ele tenha recebido qualquer recurso ilícito e que ele tenha pedido ou recebido qualquer imóvel para o Instituto Lula.

Também respondem ao processo o ex-ministro Antonio Palocci, Branislav Kontic, ex-assessor de Palocci, e o advogado Roberto Teixeira, amigo de Lula.

O processo é o mais próximo de chegar à sentença entre os dois que correm com Moro. O outro, do sítio de Atibaia, ainda está na etapa de testemunhos.

Lula já foi condenado pelo juiz no processo do tríplex e, atualmente, cumpre sua pena na Superintendência da PF em Curitiba.

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Nathan Lopes
UOL
Editado por Política na Rede
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