quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Documentos mostram depósitos em conta na Suíça gerida por filha de Serra


Imagem: André Coelho / Ag. O Globo
A Procuradoria Geral da República (PGR) anexou documentos enviados ao Brasil por autoridades suíças ao inquérito que investiga supostos pagamentos feitos pela Odebrecht para o senador José Serra (PSDB). Segundo as investigações, o dinheiro seria usado em campanhas do tucano. Os documentos mostram que uma empresa já mencionada pela Odebrecht como repassadora de propina fez repasses de 400 mil euros a uma conta na Suíça que tinha, entre seus administradores, Verônica Serra, filha do senador.

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Em 2017, Luis Eduardo Soares, um dos executivos da Odebrecht, disse, em sua delação, que a offshore Circle Technical Company era usada pela Odebrecht para repassar propinas referentes às obras da Linha 2 do Metrô, do Rodoanel e da interligação da rodovia Carvalho Pinto. Nos documentos enviados pela Suiça à PGR, é possível identificar dois depósitos da Circle na conta Firenze 3026, no Arner Bank, na Suiça. Essa conta pertence à offshore Dormunt International, do Panamá, justamente a que tem Verônica como uma de suas administradoras.

Procurados, advogados e a assessoria do senador José Serra ainda não se pronunciaram.

A primeira transferência da Circle para a conta Firenze 3026 é de 20 de dezembro de 2006, no valor de 250 mil euros. O segundo depósito foi feito em 19 de fevereiro de 2007, no valor de 150 mil euros. A movimentação dessa conta contou com a consultoria de Illumina Capital, empresa suíça que atua em gestão de patrimônio e consultoria para investidores privados. Na ocasião em que a Illumina foi contratada, a filha de Serra enviou um e-mail para o Arner Bank confirmando a contratação.

Ainda em seu depoimento, Soares disse que o número de depósitos feitos em benefício de Serra chegou a 32. Nas planilhas da Odebrecht, esses depósitos aparecem com o codinome "Vizinho", atribuído a serra. O apelido foi usado porque o senador morava na mesma rua de Pedro Novis, que presidiu a empreiteira.

As autoridades brasileiras já haviam pedido a quebra do sigilo bancário da Circle Tecnhical e de mais duas empresas - as offshores HTW Energy e CDG Energy Trading. Segundo Novis informou também em sua delação, essas empresas tamb[em foram usadas para movimentar recursos indevidos.

Doações de campanha

O inquérito em curso no Supremo Tribunal Federal investiga doações da Odebrecht para campanhas de Serra.

Para a campanha de 2006, quando Serra concorreu ao governo do estado, Novis relatou ter repassado R$ 4,5 bilhões entre julho de 2006 e outubro de 2007 - em valores da época, 1,6 milhão de euros. A PGR defende que essa investigação seja encaminhada à Justiça paulista.

Em 2008, segundo Novis, Serra fez um novo pedido, de R$ 3 milhões, para ser usado na campanha do PSDB à Prefeitura de São Paulo.

Segundo o ex-presidente da Odebrecht, para a campanha de Serra à presidência da República, em 2010, o então presidente do PSDB, Sérgio Guerra, já falecido, pediu R$ 30 milhões. Novis condicionou o apoio a pagamentos de créditos que a empreiteira tinha junto à Dersa, estatal do governo paulista. Do total que a empresa iria receber, segundo ele, ficou acertado que 15% iriam para campanhas do PSDB. Novis afirmou ter repassado R$ 23 milhões aos tucanos, parte do valor em contas de Ronaldo Cézar Coelho no exterior.

Os advogados de Coelho afirmam que o inquérito e o pedido de cooperação com a Suíça devem ser arquivados, pois o caso está prescrito. Ele tem mais de 70 anos de idade e o último depósito feito pela Odebrecht teria ocorrido em abril de 2010.

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Cleide Carvalho
O Globo
Editado por Política na Rede
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