segunda-feira, 3 de setembro de 2018

‘Além de mentiroso, é incompetente’, diz Andrés sobre Haddad ao MP


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Deputado federal pelo PT e amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, chamou o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) de “mentiroso” e “incompetente” durante um depoimento no Ministério Público de São Paulo sobre um suposto caso de corrupção envolvendo a construção do estádio corintiano pela empreiteira Odebrecht.

O jornal O Estado de S. Paulo teve acesso ao depoimento de Andrés, prestado no dia 11 de novembro de 2017. O deputado petista foi ouvido na Procuradoria-Geral de Justiça como testemunha no procedimento de investigação aberto pela Corregedoria do órgão para apurar a suspeita de que o promotor Marcelo Milani teria pedido R$ 1 milhão de propina para não entrar com uma ação na Justiça contra os incentivos fiscais dados pela Prefeitura para a construção do estádio. A ação foi ajuizada em 2012.

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A suspeita sobre Milani foi levantada pelo ex-prefeito Fernando Haddad em entrevista publicada na revista Piauí em junho de 2017. Na reportagem, o provável candidato do PT à Presidência disse ter comunicado a suspeita ao MP paulista assim que soube do fato, no fim de 2014. Na ocasião, Haddad afirmou ter tomado conhecimento sobre o suposto pedido de propina do promotor por meio de Andrés Sanchez.

Em seu depoimento ao MP, porém, o presidente corintiano negou a versão apresentada por Haddad. “Eu nunca estive com o doutor Milani. Se você perguntar se eu tenho raiva dele, desculpa o termo, tenho. Porque, realmente, com a ação que ele entrou hoje os CIDs, que iam ter um desconto de 5% 6%, nego quer 50% ou não quer nem comprar”, disse.

Indagado sobre uma reunião em que teria pedido para o ex-prefeito recomprar os CIDs, segundo relato de Haddad à Piauí, Andrés disse que o candidato escolhido por Lula “mentiu” e fez duras críticas ao petista.

“Passo um tempo curto ele (Haddad) joga na minha cara, vocês não fizeram o overlay, não tem Copa do Mundo e você perde o CID, que só tem validade se tiver a abertura (da Copa no estádio corintiano). Eu falei ‘vocês estão me ameaçando’? O Corinthians teve de assumir os R$ 120 milhões de overlay. Esse é o prefeito Haddad. Por isso que não se reelegeu e não vai se elegar a nada. Porque além de mentiroso é incompetente”, afirmou Andrés.

Haddad. O ex-prefeito petista prestou depoimento no dia 13 de junho de 2017 sobre a investigação contra Milani. Na ocasião, Haddad mudou a versão dada em 2014 e disse ter ouvido sobre o suposto pedido de propina do promotor do então diretor da Odebrecht Luiz Bueno em uma reunião da qual Andrés também participara. “Só cumpri a minha obrigação. Não sendo parte o que fiz foi reportar o fato e dexei claro que a única informação que tive foi essa”, disse Haddad na oitiva.

Mas em depoimento ao MP, Luiz Bueno também desmentiu o ex-prefeito. “Não conheço esse fato (pedido de propina do promotor)”, disse Bueno, um dos delatores da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato. Bueno relatou que Haddad era uma pessoa difícil de lidar na Prefeitura e confirmou a informação do petista de que ambos discutiram em uma reunião “tensa” sobre a liberação dos incentivos fiscais para o estádio do Corinthians.

Após ouvir todos depoimentos, a Corregedoria do MP paulista arquivou a investigação contra Milani em fevereiro deste ano. Em junto, um procedimento no Tribunal de Justiça para apurar o mesmo fato também foi arquivado. Na semana passada, Milani entrou com uma ação de indenização contra Haddad pedindo R$ 381 mil por danos morais.

COM A PALAVRA, HADDAD

O ex-prefeito Fernando Haddad, por meio de sua assessoria, informa que não foi notificado de nenhuma eventual ação promovida pelo promotor Marcelo Milani. Informado pela imprensa de que se trata de uma ação por calúnia e difamação, em função de artigo na revista Piauí, onde o ex-prefeito cita o envolvimento do promotor no processo de emissão das CIDEs para a construção do Estádio do Corinthians, Fernando Haddad reafirma que teve acesso a informação por terceiros e que não lhe restava outra opção a não ser informar o Conselho do Ministério Público, sob pena de ser acusado de prevaricação. O ex-prefeito reafirma que está, como sempre esteve, à disposição da Justiça para prestar quaisquer esclarecimentos.

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Fabio Leite e Luiz Vassallo
O Estado de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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