quinta-feira, 27 de setembro de 2018

'Coisa da ditadura,' diz Ciro sobre projeto do PT de 'regular a mídia'


Imagem: Leonardo Benassatto / Reuters
Em entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco, o candidato Ciro Gomes (PDT) afirmou que o projeto petista de regular a mídia é uma medida ditatorial. Para Ciro, o PT faria isso por "vingança", após não ter tomado essa medida nos 14 anos que ficou no poder. O candidato, no entanto, tratou de diferenciar os oponentes Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), dizendo que Haddad é "um democrata, uma pessoa respeitável", enquanto que o ex-capitão do Exército, segundo ele, é um "poço sem fundo".

— O PT tem essas contradições muito graves. Negócio de controlar a mídia, isso é coisa de ditadura, de censura, e eu tenho clareza disso, e o PT passou 14 anos no poder e não fez. Agora vai fazer por vingança? Isso não tá direito — opinou.

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Entretanto, o pedetista elogiou Haddad ao tecer sua opinião sobre quem gostaria de enfrentar no segundo turno, caso consiga chegar lá. Sua preferência, disse, é por disputar contra o petista.

— O Brasil precisa de proteger do poço sem fundo do Bolsonaro. Uma disputa entre eu e o Haddad seria uma disputa entre dois democratas, entre duas pessoas respeitáveis, entre duas pessoas que respeitam a democracia, as diferenças, portanto independentemente de ser mais fácil pra mim derrotar o Bolsonaro, eu preferia, pra proteger o Brasil, que fosse eu com o Haddad — confessou.

Ciro também atacou o tucano Geraldo Alckmin, a quem classificou de "o bagaço que gerou Bolsonaro". Foi o acirramento da rivalidade do PSDB contra o PT, a partir de 2014, que abriu espaço para o crescimento do candidato do PSL, avaliou.

— Geraldo Alckmin é o bagaço que gerou o Bolsonaro. A confrontação do PSDB com o PT que produziu o Bolsonaro — disse.

Instado a se posicionar sobre o que faria com o ex-presidente Lula caso fosse eleito, Ciro disse que é o único homem com autoridade para fazer a lei ser cumprida em relação ao petista por não estar pendurado na Justiça. Ele apontou que Haddad responde a processos e por isso não teria condições de fazer o Judiciário "voltar a cumprir as leis". Lula foi condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro e está preso em Curitiba desde abril. Ele não afirma no entanto que concederia indulto ao ex-presidente se fosse eleito.

— O único homem na política brasileira que tem autoridade para fazer a lei ser cumprida com relação ao Lula sou eu. Porque o Haddad responde a seis procedimentos, não estou dizendo que ele é culpado em nenhum, mas está lá pendurado. E eu não respondo a nada. Nós precisamos fazer o Judiciário voltar a cumprir as leis. Só quem tem força moral, neste instante, isso é uma tragédia para o Brasil, sou eu para pacificar a sociedade brasileira — afirmou.

O presidenciável chamou de "golpe contra os pobres" a decisão que o Supremo Tribunal Federal tomou ontem, de cancelar 3,3 milhões de títulos de eleitores. Ele pontua que, vítimas da falta de informação, os mais afetados pela medida são os pobres. Os títulos foram cancelados porque eleitores não fizeram biometria de seus títulos no prazo estipulado pela Justiça Eleitoral.

— É mais um golpe contra os pobres. Todos esses aí, por esmagadora maioria, é gente pobre. E muitos não sabem e vão para urna sem entender mais essa aberração que a justiça brasileira faz contra o nosso povo — anotou.

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Catarina Alencastro
O Globo
Editado por Política na Rede
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