segunda-feira, 3 de setembro de 2018

‘Infelizmente o tempo respondeu’, diz secretário que há 14 anos falou sobre risco iminente de incêndio no Museu Nacional


Imagem: Reprodução / TV Globo
Há 14 anos, quando era secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Rio de Janeiro, Wagner Victer visitou o Museu Nacional e ficou impressionado com o que viu na estrutura do prédio. "O museu vai pegar fogo”, declarou à época. Na manhã desta segunda-feira (3), após a completa destruição da mais antiga instituição científica do país, ele se diz “profundamente triste e indignado” por sua previsão ter sido ignorada.

“Me lembro que muita gente me criticou, dizendo que não era bem assim. Infelizmente, o tempo respondeu”, disse Victer, que é engenheiro por formação e atualmente é secretário de Educação do estado.

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A declaração profética foi dada pelo secretário à Agência Brasil após ter feito uma visita de caráter pessoal ao museu. “Eu dei uma opinião, não avaliação”, enfatizou o secretário, ressalvando que falou “com cidadão e engenheiro” sobre o risco iminente de um incêndio destruir o museu.

“Já naquela ocasião era óbvio que não só problemas de falta de manutenção, como a ausência de sprinklers associada a uma série falhas, além de áreas fechadas contendo farto material inflamável, indicavam um potencial risco de um incêndio destas proporções”, lembrou Victer.

Dentre os problemas estruturais observados naquela visita pelo secretário estavam fiações expostas e malconservadas. “Uma situação de total irresponsabilidade”, classificou na época.

Consumado o incêndio, Victer classificou a situação como “dramática” e disse se tratar de uma “lamentável uma perda para a cultura e para a educação do Brasil”. O secretário afirmou que a destruição do museu é resultado do “sangramento” da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mantenedora do espaço.

“Não dá para botar culpa [pelo incêndio] no atual governo. É resultado de anos de negligência. São os esvaziamento da própria UFRJ. O sangramento onde cada vez os investimentos estão indo mais para pagar salários. Isso é um problema do Brasil”, disse.

Salvar o que resta

Wagner Victer defendeu urgência em se preservar os demais museus e patrimônios históricos que o Rio de Janeiro guarda. “A maior parte do registro histórico brasileiro está no Rio de Janeiro, porque aqui era a capital. Mas também tem muito patrimônio no interior, como em Vassouras e em Petrópolis. O governo federal sempre deu pouca atenção para preservar esse patrimônio”, disse.

O secretário lembrou que a tragédia no Museu Nacional deve servir como alerta e exemplo para que não ocorra novamente em outros espaços históricos do país.

“Na engenharia, todo grande acidente ele leva à uma reflexão para mudança de postura. Quando vazou óleo no Alasca, os navios petroleiros passaram a ter casco duplo. Quando caiu o avião da Air France, modificaram os procedimentos. Toda grande ocorrência leva à modificação de normas de posturas de engenharia”, disse.

Victer defendeu, ainda, que recursos da Lei Rouanet sejam convertidos à preservação do patrimônio histórico e cultural do país. “A própria lei Rouanet que permite a dedução do imposto de renda deveria estar mais focada em preservar o patrimônio que patrocinar shows da Broadway. Isso é uma reflexão, não uma crítica, disse.

“Não são 200 anos [de história perdida no incêndio]. É uma perda para as futuras gerações. O valor imaterial daquele acervo era uma coisa fantástica”, lamentou o secretário. Ele enfatizou, no entanto, que “não dá para agora ficar criticando. Tem que colocar mãos à obra. O governo federal tem que reconstruir imediatamente o museu”, defendeu.

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Daniel Silveira
G1 
Editado por Política na Rede
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