sábado, 29 de setembro de 2018

No Brasil, não há o menor risco de retrocesso em relação à democracia, diz Aloysio Nunes


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Para o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes (PSDB), o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) joga de acordo com as regras da democracia e não traria nenhum retrocesso para as relações internacionais do Brasil, caso seja eleito.

"Nós temos opiniões conservadoras, fortemente conservadoras na sociedade brasileira, que se refletem na política. Elas não tinham encontrado até agora um canal de manifestação política. Agora encontraram no Bolsonaro", afirmou o chanceler em entrevista exclusiva à BBC News Brasil na sede das Nações Unidas, em Nova York.

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Bolsonaro é líder nas pesquisas de intenção de voto e foi alvo de comentários nos corredores da ONU após ser classificado como "ameaça à democracia" em reportagem de capa da revista The Economist.

Em mais de 30 minutos de perguntas e respostas, Nunes não fez nenhuma menção ao colega de partido Geraldo Alckmin. Apesar de ter a maior coligação e tempo de televisão entre os presidenciáveis, o tucano amarga um distante quarto lugar nas pesquisas, com menos de um terço das intenções de voto de Bolsonaro.

Leia trecho da entrevista de Aloysio Nunes à BBC Brasil: 

A última capa da revista The Economist levanta a possibilidade de risco à democracia no Brasil e na América Latina. O senhor teve um papel de resistência durante o período militar. Como se sente quando vê parte da população brasileira defendendo aquela época e candidatos defendendo torturadores?
Bom, a capa da Economist não é muito boa em matéria de profecias.
No Brasil, não há o menor risco de retrocesso em relação à democracia. Ela é solidamente estabelecida na opinião dos brasileiros, nas instituições jurídicas. Não há o menor risco de retrocesso em matéria democrática.
Há hoje duas candidaturas que se colocam como antípodas no universo político brasileiro, que são as candidaturas que estão hoje na frente (Bolsonaro/PSL e Fernando Haddad/PT), mas nenhuma delas contesta o regime democrático, tanto é que se apresentaram perante o eleitorado para obter os seus sufrágios. O deputado Jair Bolsonaro joga de acordo com as regras da democracia. Tanto é que é deputado há 30 anos.

Mas vemos hoje manifestações públicas, protestos de pessoas pedindo o que chamam de "intervenção militar". Como se sente, por mais que estes grupos sejam restritos?
São muito minoritários. De vez em quando eu vejo meia dúzia de fanáticos ali em frente ao meu ministério pedindo intervenção militar sob o olhar, digamos, divertido das pessoas, que olham como quem observa um grupo de lunáticos. Não têm a menor relevância.
Agora, é claro, nós temos no Brasil uma opinião conservadora, de direita, como nós temos na Inglaterra, na França. Nós temos opiniões conservadoras, fortemente conservadoras na sociedade brasileira, que se refletem na política. Elas não tinham encontrado até agora um canal de manifestação política. Agora encontraram no Bolsonaro.
Mas não quer dizer que sejam contrários à democracia, eles são conservadores, especialmente em matéria de costumes.

Mas, segundo as pesquisas eleitorais do primeiro semestre, ao apoiar o Lula, grande parte dos eleitores defendia um projeto oposto ao conservadorismo que o senhor descreve.
Lula não era absoluto. Ele era importante, as pesquisas davam a ele 30%, 35%. Mas, e os outros?
Há uma corrente conservadora bastante considerável, com expressão no Congresso Nacional. Tanto é que não se consegue tirar a penalização do aborto, consagrada no Código Penal brasileiro. Porque há uma presença no Congresso Nacional que não concorda com isso, e são deputados eleitos diretamente pelo povo.
Então, Lula é um líder político importante, foi condenado por corrupção, por isso não pode participar das eleições, mas não é um líder absoluto no Brasil, pelo contrário.

O líder agora é Bolsonaro.
O que quero dizer é o seguinte. Há uma opinião conservadora no Brasil que deseja ordem, o combate frontal à criminalidade, ainda que sem muita preocupação com direitos humanos, e que é muito conservadora, sobretudo em matéria de costumes.
Esta opinião não tinha encontrado até agora um veículo de expressão política. Agora encontrou. Havia encontrado nas eleições parlamentares, mas não em eleição majoritária, como a que estamos vivendo agora.

Qual seria o impacto nas relações internacionais se Jair Bolsonaro virasse presidente do país?
Acho que não é bom. Poderá levantar polêmicas que não interessam ao Brasil, porque o Brasil tem visão muito positiva da cooperação internacional, da defesa dos direitos humanos, o multilateralismo.
Mas lembro a você que não teremos apenas eleição presidencial, teremos eleição para o Congresso Nacional. O Brasil é signatário de acordos e convenções aprovadas pelo Congresso e que não podem ser revogadas por uma "penada".
Também temos o Poder Judiciário, que vela sobre estes temas, a grande maioria deles já internalizados na legislação. De modo que não creio que possa haver nenhum retrocesso nesta matéria.
Todos os candidatos à Presidência da República e o Congresso Nacional, todos, são favoráveis ao multilateralismo por compreenderem que é preciso ter regras internacionais que precisam ser respeitadas por todos. De modo que não há nenhuma perspectiva de retrocesso na atuação internacional brasileira.

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Ricardo Senra
Folha de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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