quinta-feira, 25 de outubro de 2018

A três dias do segundo turno, 'Frente Democrática' de Haddad ainda não deslanchou


Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
A ideia era dele. Desde 2016, após perder a eleição para a Prefeitura de São Paulo ainda no primeiro turno, Fernando Haddad (PT) decidiu que era preciso formar uma frente democrática para "se contrapor à onda conservadora" que tomava o país.

O palco encontrado foi a disputa presidencial deste ano com Jair Bolsonaro (PSL).

A três dias do segundo turno, porém, Haddad precisou se contentar com acenos tímidos de medalhões ou com o apoio de políticos menores.

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Após 15 dias tentando atrair, sem sucesso, Ciro Gomes (PDT) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o herdeiro de Lula recebeu declaração de voto de Marina Silva (Rede) e dos tucanos Jarbas Vasconcelos e Alberto Goldman.

O apoio de Ciro era tido como natural, assim como o de Guilherme Boulos (PSOL), que fechou com o PT logo no início do segundo turno. Para Haddad, o ex-governador do Ceará não só subiria em seu palanque como participaria do comando de sua campanha. Mas o PDT anunciou "apoio crítico", e Ciro viajou à Europa.

Depois do pedetista, a carga de Haddad se voltou a FHC, com quem nutre relação cordial desde antes da eleição.

Mas o candidato demorou e o cronograma desandou. A porta que segundo FHC estava aberta se tornou "enferrujada", disse o ex-presidente.

Os dois só se falaram após vir a público um vídeo de um dos filhos de Bolsonaro, Eduardo, falando de fechar o Supremo Tribunal Federal.

A conversa não foi conclusiva, mas ambos fizeram uma avaliação de que a candidatura do capitão reformado "ameaça a democracia". O tucano, disse Haddad, demonstrou "preocupação" com o país.

Auxiliares do petista ainda esperam uma declaração explícita, mas a maior parte do PT acha o cenário improvável.

A surpresa foi Marina Silva, considerada magoada com o partido —nas eleições de 2014, a campanha de Dilma Rousseff a atrelou a banqueiros e desidratou sua candidatura.

A presidenciável da Rede teve 1% dos votos, mas seu apoio é simbólico, assim como os de Goldman e Jarbas, vozes de uma campo político diferente daquele dominado pelo PT.

Dirigentes petistas criticam a tentativa de Haddad de atrair a centro-direita, e adversários exigem autocrítica do partido para dar apoio. A aparente contradição de buscar o centro e acenar ao eleitor pobre deve seguir até o minuto final.

Preso em Curitiba, o arquiteto da candidatura, Lula, divulgou uma carta nesta quarta (24) para pedir a união dos democratas contra o que chama de "aventura fascista".

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Marina Dias
Folha de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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