terça-feira, 2 de outubro de 2018

Para Haddad, aumento da sua rejeição se deve ao 'fascismo de parte da elite que abandonou democracia'


Imagem: Suamy Beydoun / FuturaPress
Após sua rejeição crescer 11 pontos percentuais e chegar a 38%, como mostrou a pesquisa Ibope na segunda-feira, o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad , creditou o resultado aos ataques que recebeu do PSDB. Ele também atacou, pela primeira vez, de forma indireta, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro.

- Temos sofrido muito ataque do PSDB, mas isso não está favorecendo o PSDB, está favorecendo o fascismo. Alimentar o ódio é alimentar o fascismo. Quanto mais a gente alimentar o ódio, mais o fascismo vai crescer. Parte expressiva da elite brasileira abandonou a social democracia para o fascismo - disse Haddad aos jornalistas nesta terça-feira ao visitar a Fiocruz, no Rio.

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Questionado se falava de Bolsonaro quando citou o fascismo, Haddad não respondeu diretamente.

- Entendam como vocês acharem melhor - afirmou.

A rejeição a Haddad chama ainda mais a atenção quando comparada com a que seu padrinho político, o ex-presidente Lula, tinha na última pesquisa Ibope antes de o TSE decidir que ele estava inelegível. Na sondagem divulgada dia 20 de agosto, Lula tinha 30% de rejeição, ante 37% de Bolsonaro.

De acordo com o Ibope, Haddad tem 21% das intenções de voto, 10 pontos percentuais atrás do líder das pesquisas, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, que tem 31%.

O petista não respondeu aos questionamentos sobre a delação do ex-ministro dos governos petista Antonio Palocci, cuja colaboração teve o sigilo levantado pelo juiz Sergio Moro .

Questionado pelo jornal O Globo sobre as recentes declarações do ex-ministro José Dirceu de que o Ministério Público deveria perder o poder para comandar investigações, o ex-prefeito de São Paulo disse que “não comentaria”. 

 O ex-ministro Luiz Dulci, que integra a coordenação de campanha de Haddad, disse ao jornal que o crescimento de Bolsonaro nas pesquisas e a rejeição ao candidato petista têm algumas explicações. Entre elas, está o apoio que o adversário recebeu do bispo Edir Macedo, o apoio de alguns candidatos a governador e à campanha antipetista na Internet.

- O apoio do bispo Macedo é político e financeiro e tem muitos governadores até do PSDB apoiando o Bolsonaro. O vice do (Antonio) Anastasia gravou vídeo de apoio a ele. Nós temos que combater a campanha contrária na Internet. Ainda não sei se há um movimento em relação às demais igrejas evangélicas para apoiar o Haddad. O Gilberto (Carvalho) está cuidando disso — afirmou, enquanto Haddad visitava a Bio Manguinhos.

Haddad deixou a empresa e seguiu para uma agenda em Campo Grande de helicóptero. Ele, políticos petistas do estado e assessores foram em duas aeronaves.

Haddad disse que pretende ampliar o orçamento da saúde dos atuais 4% do PIB para 6% do PIB. Ele afirma que vai pedir que o Congresso revogue a emenda do teto de gastos. Pretende ainda fazer isso no mesmo momento que enviar a proposta de reforma tributária ao Congresso. 

 - Nós queremos revogar a Emenda 95 (do teto de gastos) no bojo da reforma tributária para dar confiança para as pessoas de que as finanças públicas vão estar arrumadas. Hoje, não existe nenhum senador ou deputado que não esteja arrependido de ter aprovado essa bobagem - afirmou Haddad.
Bolsa Família

Logo depois do compromisso de campanha na Fiocruz, em breve ato político em uma área de comércio popular na Zona Oeste do Rio, Haddad disse que, se eleito,  Bolsonaro (PSL) vai rever o Bolsa Família e outros direitos. 

 - Agora estão falando de cortar o 13º, aumentar o Imposto de Renda para os mais pobres, com alíquota única. A equipe do Bolsonaro já disse  que vai rever o Bolsa Família - disse ele, do alto de um carro de som, no calçadão de Campo Grande.

O fim do 13º salário foi defendido pelo vice na chapa de Bolsonaro, general Hamilton Mourão. Ele foi desautorizado pelo candidato do PSL. Já a alíquota única para o IR, de 20%, faz parte das propostas de Paulo Guedes, principal assessor econômico do deputado. E haveria isenção para quem ganha até cinco salários mínimos.

Segundo o petista, mesmo quem não recebe o s benefícios seria prejudicado:

- Você é um microempreendedor. Quanto menos dinheiro o povo tiver no bolso, menos vai comprar.

De acordo com as pesquisas, a maioria do eleitorado do candidato do PSL está nas camadas mais ricas da população, enquanto o petista é mais forte entre os mais pobres.

Além de Bolsonaro, Hadddad também associou os candidatos do PSDB, Geraldo Alckmin, e do MDB, Henrique Meirelles, às reformas do governo Michel Temer, que visariam "cortar direitos".

Helicóptero

O candidato do PT está se deslocando pelo Rio de helicóptero.  A campanha explica que o objetivo é otimizar o tempo para que ele possa fazer quatro agendas, nesta terça-feira, no estado: uma em Manguinhos, outra na Zona Oeste e duas na Baixada Fluminense.

Haddad ficou 20 minutos em Campo Grande. Ele não fez uma caminhada, como previsto, apenas discursou do alto de um carro de som. 

Assim como na caminhada e no comício realizados na noite de segunda-feira no Rio, a segurança do candidato do PT, em Campo Grande, foi feita por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). 

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Jeferson Ribeiro e Fernanda Krakovics
O Globo
Editado por Política na Rede
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