quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Justiça determina análise de movimentações financeiras de sobrinho de Lula que enriqueceu com contrato da Odebrecht em Angola


Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
O juiz da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília, Vallisney de Oliveira, determinou à Receita Federal que faça o rastreamento das movimentações financeiras de Taiguara Rodrigues, sobrinho da primeira mulher do ex-presidente Lula.


O juiz atendeu a pedido do Ministério Público Federal no processo em que Taiguara e Lula são réus por suposta formação de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e tráfico de influência.

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Para investigadores, a empresa do sobrinho de Lula não teria capacidade de operação e seria apenas usada para receber repasses da Odebrecht. Investigada na Operação Lava Jato, a empreiteira baiana é responsável por obras na República Dominicana, Cuba e Angola. Em todos os casos, as obras foram realizadas por meio de financiamentos do BNDES.

Lula é acusado pelo MP de usar seu poder e influência na época em que ocupou a Presidência para que a Odebrecht conseguisse empréstimos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A contrapartida da empreiteira era a contratação de uma empresa de Taiguara, a Exergia.

O pedido de análise fiscal, referente aos exercícios de 2010 a 2015, se estende, ainda, ao sócio de Taiguara na empresa, José Emmanuel de Deus Camano. O rastreamento vai analisar pagamentos, contratos e movimentação financeira nas contas dos dois.

No pedido do MPF, ao qual a TV Globo teve acesso, a procuradora Melina Castro Montoya Flores detalha o motivo do rastreamento das movimentações financeiras de Taiguara e do sócio.

"Visando aprofundar o corpo probatório nesse sentido, insta diligenciar a Receita Federal do Brasil para realização de análise fiscal dos contribuintes Taiguara Rodrigues dos Santos e José Emmanuel de Deus Camano Ramos, ora denunciados, tendo em vista o envolvimento em esquema de corrupção e prática de lavagem de dinheiro com os recursos que receberam em virtude de supostos serviços prestados no âmbito de contratos firmados entre a Exergia e a Odebrecht”, diz o pedido.

O processo

A acusação aponta atuação do ex-presidente junto ao BNDES para favorecer a Odebrecht em empréstimos para obras de engenharia realizadas em Angola, entre 2008 e 2015. Em troca, a empreiteira teria desembolsado R$ 30 milhões para os envolvidos.

Documentos da investigação, revelados pelo Jornal Nacional em maio de 2016, apontam que Taiguara enriqueceu rapidamente, e que a empresa dele não tinha capacidade de execução da obra.

A Exergia Brasil, empresa de Taiguara e Emmanuel, fechou contratos com a Odebrecht de 2012 a 2015. Um deles, investigado na Operação Janus, é a obra da reforma da hidrelétrica de Cambambe, em Angola.

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Investigadores querem saber por que uma gigante da construção civil, como a Odebrecht, contratou uma empresa de pequeno porte , como a de Taiguara, para fazer uma obra tão complexa. A Exergia recebeu R$ 3,5 milhões da Odebrecht.

As investigações mostram que Taiguara se beneficiou dos contratos com a Odebrecht justamente por causa da ligação com o ex-presidente Lula. Há suspeitas de enriquecimento ilícito de Taiguara.

As investigações apontam que Taiguara agia como intermediário de Lula. E que os contratos da Odebrecht com a empresa de Taiguara eram, na verdade, uma forma indireta de a construtora retribuir a atuação de Lula.

A investigação já apontou que Lula atuou em favor da Odebrecht numa obra em Angola, junto ao governo daquele país e dentro do BNDES. E que Lula recebeu benefícios diretos – pagamentos milionários por palestras – e indiretos: contratos com pessoas próximas, como Taiguara.


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Camila Bomfim
G1
Editado por Política na Rede
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